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Campus Party Portugal - Vai ser giro, não era?

A Campus Party Portugal 2007, aquela que prometia ser a maior e melhor lan party alguma vez feita em Portugal, foi ontem oficialmente cancelada.

A razão para tal foram as poucas inscrições obtidas até à data, talvez fruto de uma tardia comunicação ao público da realização deste evento. De forma a salvaguardar a imagem da empresa organizadora e respectivos parceiros, este foi o único desfecho viável encontrado pela organização.

Apenas podemos especular, mas as organizações de eventos deste género têm de perceber o que move os jovens hoje em dia para este tipo de eventos: jogos. E não é qualquer jogo. E, talvez ainda mais importante, não é qualquer prémio que serve.

Nas anteriores edições da Campus Party (conhecida até agora como Minho Campus Party - com uma entidade organizadora diferente), os prémios não eram grande coisa, comparada com outros torneios que já se faziam na altura. Aliás, até ao momento da entrega de prémios, ninguém sabia muito bem que prémio iria receber, chegando-se ao cúmulo de 2ºs e 3ºs lugares terem melhores prémios que o 1º lugar. Mas os tempos eram outros ...

Nessa altura nem toda a gente tinha banda larga em casa, e os que tinham não atingiam as velocidades de 24Mb que podemos facilmente encontrar na oferta de mercado actual para as nossas residências. O grande chamariz da Campus Party na altura, além da inovação que surgiu neste tipo de eventos em Portugal, era sem dúvida a banda larga. Durante 4 ou 5 dias as pessoas podiam usufruir de uma capacidade de transferência que simplesmente não estava disponível no dia a dia. As pessoas iam para a Campus Party com os seus programa peer-to-peer carregadissímos de ficheiros por descarregar: era só chegar, ligar a ficha, e olhar, com um sorriso de orelha a orelha, para a velocidade com que a barra de progresso se mexia.

Depois, ocasionalmente nas primeiras edições e mais frequentemente na(s) última(s), as pessoas pensavam nos jogos. A possibilidade de fazer torneios em lan, descartar o ping que muitas vezes incomodava em torneios online (mais uma vez, aqui surge a "banda larga" que uma rede em lan oferece), a possibilidade de conviver com os amigos da própria equipa - muitas vezes separados por muitos quilómetros - e também com as equipas rivais, e além disso, ganhar prémios.

Hoje em dia temos banda larga "que chegue" em casa (não querendo cair no mesmo erro que alguém cometeu quando disse "640K ought to be enough for anybody"); temos lan houses espalhadas pelos quatro cantos do país; vários torneios que se realizam quase mensalmente.



Um dos erros crassos que esta organização cometeu, foi a tardia divulgação e anúncio da realização do evento. Por motivos certamente logísticos, a organição divulgou o evento numa altura em que já duas lan parties, a XLParty e a FuturTech, com um objectivo claramente diferente da Campus Party Portugal, tinham lançado as suas inscrições, estabelecido torneios oficiais, divulgado as listas de prémios (alguns deles impressionantes!) e reunido já algumas inscrições.
Está claro que nenhuma destas lan parties se aproxima da envergadura que a CPP prometia para este ano, mas atraindo os jovens com torneios dos jogos actualmente mais jogados, com prémios bastante aliciantes e com um preço de inscrição bastante abaixo do preço de inscrição para a CPP, estavam claramente um passo à frente.

Então porque é que a Campus Party de nuestros hermanos resulta (vai na sua 11ª edição) e a nossa não? Vou arriscar dizer que entre as variadíssimas áreas de participação que oferece (e da enorme experiência que a organização hoje tem em realizar eventos deste género), estão os jogos.
Ok, ouço-vos pensar, na CPP também tinha uma área de jogos. Certo, mas quando a CPP foi anunciada, já tinha uma lista de jogos definida? Já tinha uma lista de prémios atraente?
Não, porque essa nunca foi a preocupação da organização. Os jogos haveriam de se realizar, mais ou menos bem, e haveriam de ter alguns prémios oferecidos pelos patrocinadores para oferecer, por isso, para quê se preocuparem?


Na página da Campus Party espanhola dificilmente encontram destaque ao número de quilómetros que os cabos que suportam a rede têm, ao tipo de equipamento que é usado para suportar um evento deste tipo, etc., tudo aquilo ao que a organização portuguesa deu destaque. E porquê? Porque não interessa.
Se vou participar num evento deste tipo não estou preocupado se o equipamento é da marca XYZ, se vão usar fibra óptica, se vão usar um, dois, ou mais routers de nível X ... Não quero saber.

Como também não me interessa, quando vou a um concerto, se os amplificadores são da Marshall, se os microfones são da Shure, se tem um, dois, ou mais focos de luz. Não quero saber. Só quero é que a banda toque e toque bem. Quem tem de se preocupar com a qualidade da estrutura que suporta o evento é a organização. Como o fazem, não me interessa. Excepto se eu for um amante de música, um curioso. Aí sim, vou querer saber algumas curiosidades, notar alguns pormenores. Mas é isso que me faz pagar para ir ver o concerto? Não me parece.

Aqui vai uma pequena check-list (muito incompleta e muito básica) para futuros organizadores de eventos deste tipo:
  • Temos torneios de jogos?
  • Temos prémios?
  • Temos BONS prémios? (que valham a pena viajar quilómetros com 3 algarismos)
  • Temos boas condições para realizar o(s) torneio(s)?
  • Temos boa divulgação? (boa divulgação não é necessariamente divulgação nos mass media)
  • Agora que chamamos as pessoas que realmente se mexem e dão vida ao nosso evento, que outras áreas podemos abranger para chamar ainda mais pessoas?

Para concluir, espero que futuras organizações se apercebam destes pormenores, que não são assim tão pequenos. Dêem uma vista de olhos ao exemplo que temos mesmo aqui ao lado. Não vamos reinventar a roda, vamos dar-lhe outro uso!
Enviada por em 08.07.2007 @ 15:02
Categoria: Lan Party
Visualizações: 1936
21 comentários submetidos até agora
#1   por jm MLR on July 8, 2007 @ 15:24
=/
#2   por pt vaN-_- on July 8, 2007 @ 15:48
previsivel
#3   por np off on July 8, 2007 @ 16:00
bom artigo
#4   por pt exploit on July 8, 2007 @ 16:00
tecnologia é das coisas q sofre mais mutações em menores períodos de tempo, portanto promover um evento ligado às tecnologias em 2007 da mesma forma q se fez em 2003 ou 2004 é capaz de acabar como acabou...
#5   por pt shadyy on July 8, 2007 @ 16:28
preto no seu melhor... /
#6   por pt Kelianosevis on July 8, 2007 @ 17:29
Bom artigo!
Pode ser que isto sirva de lição para uma próxima vez. Pode ser até que decidam ler este artigo e que sigam esta "pequena" check-list à letra!
#7   por pt Net-Cracker on July 8, 2007 @ 17:43
Pena o CPP ter sido cancelado. Espero que a organização aprenda com estes erros, e comece a se preocupar com o que realmente interessa.
Bom artigo!
#8   por pt InCuBuS on July 8, 2007 @ 20:10
Eh mesmo isso!
#9   por pt Amroth on July 8, 2007 @ 20:18
mt bom preto!
#10   por pt xoto on July 8, 2007 @ 21:01
Um artigo muito bom, disses-te tudo, tb tou com mt pena que a cpp não se realize neste ano :|
#11   por pt scorpio on July 8, 2007 @ 22:24
O artigo está bem escrito, pela perspectiva dos gamers.
Infelizmente, a perspectiva das Campus Party (que são _muito_ diferentes das LAN Party) não são nem nunca foram o ambiente ideal para os torneios de jogos oficiais (consequentemente com os prémios com X dígitos), até porque as condições nunca poderiam ser de igualdade entre participantes, embora faça todo o sentido terem a participação dos gamers (convívio, troca de informações, etc).
Infelizmente, e ainda que as organizações sempre tenham dado o poder aos participantes para fazer das Campus Party o que quisessem, poucas vezes se verificou que aparecessem iniciativas interessantes e que efectivamente utilizassem o potencial de um grande evento (LAN de 300 pessoas não contam).

Por fim, no que diz respeito à comunicação, devem estar a fazer alguma confusão: em Espanha, a Telefonica comunica que a Internet deles é a melhor, e a Cisco faz o mesmo, como acontece em todo o tipo de eventos em que cada entidade comunica sobre a sua part
#12   por pt RaboDeJudas on July 9, 2007 @ 07:45
Tiveste bem :P Mas refuto qualquer coisa ai (que sei que só colocaste para embelezar!).

1. A CampusParty espanhola vai funcionando nos últimos anos, muito porque congrega um qualificador à última da hora para as edições da GameGune, e porque oferece novo torneio e prémios logo aseguir à edição da GameGune. E porque, não só em CS, convidam equipas e jogadores de fora, o que atrai desde logo mais pessoas de lá. O ser humano influência-se logo, vê um estrangeiro convidado e assume que é tudo bom, e lá vão eles.

2. Para a banda tocar e bem, não vão lá sem os Marshall! Mesmo que não queiras saber, se à partida soubesse que não estavam lá, não ia decerteza! :D That's for "shure".

E pronto, os espanhóis AINDA não é este ano que vivem a paranóia portuguesa do género "buéda caro, não vou", "hardware? para isso roubo aos *****".. Esses ainda vão por divertimento a Bilbao. Mesmo sendo de Lisboa, há que concordar que se essa LAN fosse no Porto / Norte tinha mais inscrições do que estava a ter.
#13   por on July 9, 2007 @ 09:02
#13 quando vais ver um concerto ligas de que marca são os amplificadores? XOCADO :| (o 2. ponto nao tem nada a ver ...)

quanto ao 1. parece-me que tomaste conhecimendo ah pouco tempo da CP espanhola ;)
#14   por dk oDEith on July 9, 2007 @ 13:59
E' uma pena, bom artigo (:
#15   por on July 9, 2007 @ 14:08
#11 o problema é que os participantes _não_ querem ter de organizar nada. Só querem é jogar. Pode parecer egoísta, e se calhar é, mas é mesmo assim a mentalidade dos jogadores (nem todos, claro). E sim, "não queremos ter trabalho e ainda queremos prémios" é o que vai na cabeça de muitos.
Em torneios online as condições também não são iguais, nem nunca poderão ser, mas com o prémio certo, eles aparecem ;)

Quanto à divulgação do evento, é uma questão de marketing. Apenas acho que estão a pegar no nicho de mercado errado. Seria provavelmente mais fácil (ainda mais este ano, sendo a entidade organizadora quem é (perdão, era :P), atrair primeiro os jovens jogadores para assegurar a existência do evento - porque sem dúvida que sáo muitos e com o incentivo certo estão dispostos a ir a muitos lados - e só depois se preocuparem com o que se calhar lhes diz mais respeito e é mais importante para _eles_ (organização). Daí o meu último ponto naquela reduzida check-list
Comentário editado em July 9, 2007 @ 15:09
#16   por on July 9, 2007 @ 14:08
#12 dá só uma olhadela nos prémios das competições (com consolas incluídas). Não valem a pena? :)
Quanto a "O ser humano influência-se logo, vê um estrangeiro convidado e assume que é tudo bom, e lá vão eles.", muito provavelmente isto é verdade, mas quando eu digo que a CP espanhola resulta, não estou a contar com os participantes portugueses ;)
Duvido que os espanhóis alguma vez sofram da paranóia portuguesa. Já são 11 edições. Já não precisam de se preocupar com estes pormenores que eu tenho vindo a referir. Já têm uma "vaca roxa" e o único marketing que lhes vale é o boca a boca. Os amigos vão porque já têm ido nos últimos anos e é fixe. Então vamos com eles e vamos dizer a mais amigos nossos ... e por aí fora.

Quanto à questão dos amplificadores, isso dá muito pano para mangas, não vamos por aí :P
#17   por on July 9, 2007 @ 14:08
Para finalizar, apenas quero dizer que entendendo o ponto de vista dos jogadores, não querendo dizer que concordo com ele. Também já organizei vários torneios, sei o que custa e o que não custa, e também sei que muitas vezes os jogadores são mal-agradecidos. Mas voltam sempre ;)
Também sei qual é o espírito da Campus Party (que gosto bastante), mas sei também que o espírito não paga o evento.
#18   por pt Playline on July 10, 2007 @ 19:14
Gosto do artigo e sublinho o #17.
Quer queiram quer não, a participação de jogadores devia ser a primeira procura uma vez que á uma das áreas que mais procura este tipo de eventos.
#19   por pt datagrama on July 14, 2007 @ 23:08
Parece me bastante óbvia a falta de clarividência deste artigo numa perspectiva global e abrangente daquilo que é a sociedade de informação e aquilo que são eventos culturais com bases de conhecimento, tecnologia, lazer e cultural. Passo a explicar porque.
As lans partys com prémios multimilionários são interessantes para quem quer fazer carreira nelas com objectivos monetários, tal e qual o casino é interessante para quem tem problemas de adição com o jogo, e o fascínio que o casino representa passa por uma ambição monetária a custo mínimo.
É importante distanciar este universo do universo que representa um evento com a natureza do campus party, e agora do braga campus party, que reúne áreas de conhecimento muito abrangentes da tecnologia na area do design, audiovisual, multimédia, hacking, java, linux, musica, web, etc. etc. Comparar isto com meia dúzia de gangs aos tiros no computador enfiados numa cave é ridículo e demonstra bem o extremo que este artigo representa como uma análise sócio - cultural, no qual ainda se digna a tentar analisar erros de uma produtora que é responsável pelo único elo de ligação internacional a este nível que encontramos em Portugal. Eu afirmo que iniciativas do género da campus party comparadas com lan partys dedicada única e exclusivamente a jogos e prémios, que o nosso amigo refere, é como comparar alhos com bugalhos. Fazer uma análise partindo deste pressuposto, logicamente resulta neste tipo de incoerência formal com palas nos olhos.

É de louvar iniciativas que promovem o intercâmbio tecnológico nos mais variados campos cognitivos e sensoriais que o meio digital nos proporciona. Sem dúvida que este intercambio das diferentes tribos, desde os jogos, ao design, cinéfilos, musica, cria uma plataforma de palestras, workshops, demonstrações informal e descontraídas, que permite aliar o útil ao agradável de uma forma muito especial. Há que apoiar esta iniciativa e quem a torna possível. Já estive no mcp04 e recomendo vivamente as instalações que o estádio de Braga traz a um evento desta natureza.
Bem vindos ao futuro é sem dúvida um bom slogan para o evento. Um bem haja a quem nos proporciona cultura e conhecimento aliado a lazer e nos distancia das caves com miúdos aos tiros para ganhar prémios ( e atenção : tem que ser prémios de centenas....dezenas não chega...minha nossa...) se fossem a uns workshops do Bcp07 talvez aprendessem umas bases para ganhar dinheiro justo e desenvolver uma carreira profissional, aparte do vício do casino digital virtual - com prémios na casa das centenas! Há pois!

Um bem haja a todos, e convido o autor deste artigo a fazer um pequeno zoom out das salas de jogo para eventos culturais de foro tecnológico. São realidades muito distintas. Sou um adito da área de multimédia e audiovisual, e gosto de acreditar que apesar de jogar alguns jogos, existe um sub mundo cultural que me permite crescer intelectualmente (até mesmo na produção destes mesmos jogos, é um excelente local para presenciar workshops e colóquios informais de pessoas e grupos envolvidas no meio a nível profissional). Estes eventos ajudam a crescer esta comunidade que não vai apenas a eventos para jogos e prémios - na casa das centenas, claro - e permite criar uma tribo sócio cultural bem mais abrangente. Cria sim um convívio onde é possível reunir as várias essências do fruto digital. A promoção destes jogos transcende em muito o universo dos jogos, e como tal como é que possível fazer uma leitura critica do mesmo partindo única e exclusivamente dessa pequena fatia...é me complemente incompreensível - para não dizer egoísta.

Vamos acreditar que é possível criar novas tribos que não procuram única e simplesmente jogos, mas sim todo o prazer que o meio tecnológico nos proporciona. Se ficamos pelas lans partys, vamos viver este fenómeno em ambientes de casino rural – Mas atenção: com prémios na casa das centenas! Há pois!!!! ´Haja prémios caraç@@@s! Cultura é que pó tecto….
#20   por pt eddmosphere on July 14, 2007 @ 23:10
Caro prentender:
O Campus Party NÃO É NEM PRETENDE SER uma LAN de JOGOS. Como o nome indica CAMPUS.. --> PARTY
#21   por on July 16, 2007 @ 14:04
#19 e #20 claramente que se foram a (M)CP passaram la uns minutinhos e deram a fuga...

"É de louvar iniciativas que promovem o intercâmbio tecnológico" ... sim isso acontecia claramente na (M)CP ... OU NÃO!

A serio o que foi dito pelo o Pret3ndeR (que esteve presente em 2 edições da CP), e eu subscrevo, é o mais correcto e acertado, eu tive na organização durante 3 anos e no ultimo ano fui como voluntário na equipa de redes, ACHO que sabia minimamente o que se passava lá, e mais, para alem do Richard, deveria ser uma das pessoas com mais contacto com os participantes!

Só tenho pena que não voltem cá para ler este comentário ... porque é mto giro vir ca lançar os foguetes e deixar as canas todas por aí espalhadas!
Comentário editado em July 16, 2007 @ 14:05
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